Tecido Acrobático e Lesões

Semana passada sofri um estiramento na coxa, fazendo espacate no tecido acrobático. Já era final da aula e subi no tecido para fazer o espacate, quando abro e escuto um estalo e uma dor bem pontual no meio da coxa esquerda. Algumas amigas minhas já tiveram estiramento e a gente nunca acha que vai acontecer com a gente também.
Dias depois tive a ideia de fazer este post, falando sobre as lesões mais comuns, a fim de alertar e ajudar vocês.
Para isso, entrevistei minha amiga e professora de tecido Fernanda Ishimoto.

Fernanda é Fisioterapeuta desde 2004, com formação em Reeducação Postural Global, pós graduação em fisioterapia Cardiorrespiratória, formação em Pilates e Pilates Aéreo e estudante de Osteopatia desde 2014. “Quando conheci o circo, me apaixonei pela arte e por este mundo. Desde então, dediquei a maior parte das minhas horas de estudo e de treino à essa modalidade circense que é o tecido acrobático. Há dois anos tive a incrível e maravilhosa oportunidade, através da minha treinadora, parceira e amiga, Marcela Schreiner, de aplicar e desenvolver ainda mais minhas habilidades e toda a minha pesquisa, à arte de ensinar! A partir daí o esforço em aprender, aprimorar e estudar foi maior ainda. A busca é grande e não pára nunca. Associar o conhecimento da fisioterapia às atividades circenses só fez solidificar e confirmar o amor por essa arte incrível e o amor por ensinar com responsabilidade o que pesquiso e aprendo em cada troca de experiências!”

Você pode acompanhar a Fer Ishimoto pelo Facebook e Instagram <3 Eu recomento! Ela é incrível 🙂

 

 

VAMOS À ENTREVISTA:

Quais são as lesões mais comuns que acontecem com quem pratica tecido acrobático?

Há poucas evidências de estudos específicos nessa área.
Ocorrem muitas lesões musculares (distensões ou contusões), nos mais variados graus de intensidade, principalmente nos graus 1 e 2 (os mais leves). No livro “Técnicas Circenses Aéreas” do Carlos Sugawara, ele aponta que, em sua prática, ele pôde avaliar e observar uma incidência maior (entre os aerialistas) de lesões em membros superiores, quase que na totalidade, de ombro. Vemos também muitas distensões musculares relacionadas às práticas de flexibilidade, tanto de membros inferiores, quanto de membros superiores; mais relacionados ao ombro, como já citado anteriormente. Virilha, região de músculos adutores, posteriores da coxa e joelhos também entram nessa lista dos mais prejudicados.

Por que essas lesões ocorrem?

Existem muitas possibilidades para o surgimento de uma lesão.
Pode ser de origem aguda, onde geralmente está relacionada à falta de aquecimento adequado ou à fadiga do músculo em questão naquele momento específico (final de treino, noites mal dormidas, má alimentação, etc.), falta de preparo físico – não suportando a sobrecarga imposta, ele estira e rompe fibras musculares.
Pode ser de origem crônica, que está relacionado à repetição de micro traumas, sobrecarga excessiva durante médio e longo prazo, culminando numa lesão muscular ou até mesmo ligamentar.
O preparo físico de cada um deve ser observado pelo professor/ treinador em questão para evitar sobrecargas excessivas e consequentemente uma lesão desse tipo ou pior.
Peculiaridades individuais devem ser respeitadas: frouxidão ligamentar, hérnias discais, cirurgias já realizadas, treino de outra modalidade esportiva concomitante e a própria postura têm uma enorme influência na realização dos exercícios e nas possíveis compensações que ele pode fazer na execução da atividade.

O que podemos e o que não podemos fazer quando temos essas lesões?

Se a lesão for aguda, a recomendação é que se faça repouso, gelo e principalmente uma consulta a um especialista de confiança. Lembrando que a automedicação pode “mascarar” a lesão na sua fase inicial, prejudicar e retardar o tratamento e a recuperação, além das reações adversas referentes ao uso de remédios.
Lesões crônicas necessitam de acompanhamento especializado e individualizado para recuperação completa da lesão, respeitando o tempo de cada fase do processo de cura e do próprio corpo em aceitar a execução dos exercícios, que devem ser feitos numa escala gradual de carga e com orientação profissional.

Qual a importância do aquecimento?

É fundamental realizar um bom aquecimento, pois ajuda a prevenir esses tipos de lesões, melhorando a velocidade e a força da contração muscular, a circulação e a oxigenação muscular e também a velocidade de condução nervosa.
Além disso, podemos destacar uma boa hidratação, fortalecimento muscular e uma alimentação adequada.

O que podemos fazer para evitar essas lesões?

Como já dito anteriormente, é necessário um bom aquecimento, hidratação e boa alimentação. Dormir adequadamente, dar ao corpo um período de descanso entre os treinos, evitar treinar sob efeitos medicamentosos, álcool ou qualquer outra substância que retarde o organismo de alguma forma.
– Respeitar o corpo e suas alterações; (períodos menstruais, noites mal dormidas, por exemplo);
– Respeitar seu “feeling”, prestar atenção em como seu corpo está reagindo à prática naquele dia;
– Respeitar seu nível técnico e seu preparo físico;
– Não “fugir” dos aquecimentos e exercícios de fortalecimento – eles são a base pra que você avance tecnicamente com maior e melhor suporte físico.

Obrigada Fer, pelos esclarecimentos!!

É sempre bom lembrar também que incidentes acontecem. Por mais que você seja preparada, esteja alongada e aquecida, acidentes são imprevisíveis. Por isso todo cuidado é pouco. Então pessoal, cuidem-se e estejam sempre atentos aos sinais do seu corpo 😉 Essa é uma lesão chata. Não pode alongar nem fazer espacate durante a recuperação (no caso de estiramento na coxa). Agora é cuidar e esperar cicatrizar para poder voltar a alongar aos poucos e recuperar a abertura anterior 😉

No livro “Técnicas circenses aéreas – Corda lisa e tecidos”, do Carlos Sugawara, ele aborda algumas outras lesões comuns em artistas de circo. Sei que a maioria aqui é amadora (como eu), mas pelo fato de praticarmos a atividade, estamos propensos às mesmas lesões. Se eles que são mais preparados se lesionam, imagine a gente…
No livro ele fala sobre:
– A fisioterapia sobre as técnicas circenses aéreas
– Nutrição para atletas de circo
– Organização de treino
– Preparação física para a atividade circense
– Subidas e descidas
– Construindo a base
– Figuras para corda lisa e tecidos
– Quedas
– Sugestões de treinos e aulas
Você pode encontrar o livro “Técnicas circenses aéreas – Corda lisa e tecidos”, do Carlos Sugawara AQUI.

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2 Resultados

  1. Gostei muito das informações e me identifiquei muito com a Fernanda. Sou fisioterapeuta, instrutora de Pilates e Pilates aéreo e há 2 anos treino lira tecido acrobático. Ainda não tive lesões, mas tenho desde adolescente uma escoliose em “S”e hérnia discal em lombar e cervical e me preocupo com o assunto e leio bastante sobre os possíveis riscos.
    Só um detalhe sobre a matéria, eu encontrei a Fernanda no Facebook como Fernanda Ishimoto e Instagran como fernandaishimoto (tudo junto) e não Fer Ishimoto como descrito 😉
    Obrigada e até mais!

    • akroholic disse:

      Oi Renata, obrigada pelo seu comentário. Realmente é sempre importante estarmos atentos a possíveis lesões. Que bom que nunca se machucou. E que bom saber que pessoas com escoliose (eu tinha quando mais nova a “S” e fiz RPG) e com hérnia de disco podem fazer tecido \o/ Maravilhoso!!! hahahaha
      E sobre a Fernanda, ela trocou o nome dela nas redes um tempo depois dessa matéria. Agora você pode encontrá-la como fer.aerialista tanto no insta quanto no face. E eu não tinha me atentado para trocar o link no post. Mas agora já troquei!!! Obrigada pelo aviso <3 Beijão!!! Até mais 😀

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