Entrevista dupla Mão na Roda

Hoje começo uma série de entrevistas com pessoas que trabalham com circo, como mais uma forma de inspirar vocês e trazer informações. Pretendo publicar uma entrevista por mês. E vou começar essa série trazendo uma dupla que já é bem conhecida no meio do circo. Se você ainda não conhece, apresento a Dupla Mão na Roda, formada por Alan Pagnota e Rafael Ferreira.
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1° Cirque International Festival of Brazil Contest 2018- Prêmio Prata

 

Sobre os artistas:

Rafael Ferreira


Há 32 anos nascia Rafael Antônio do Nascimento Ferreira em Sobradinho-DF, mas foi criado em São Sebastião-DF, caçula em uma família de cinco irmãos em que sua influência artística veio de um dos seus irmãos mais velhos que foi B-Boy.

Rafael nasceu com uma patologia chamada Artrogripose Congênita¹, que mesmo necessitando do auxílio de uma cadeira de rodas desde sempre, isso não o impediu de adaptar-se aos afazeres diários, muito menos o limitou a ser um artista surpreendente. Por ser brincalhão entre amigos e facilidade em se mover com as mãos, em árvores desde criança, era a atração em festas onde se apresentava como B-Boy apenas por diversão, até que um primo o convida a participar em uma apresentação de RAP, dando início a sua carreira artística.

Fez parte de um projeto em Brasília-DF chamado “Projeto 1º emprego”, onde um professor, que era palhaço, indicou para a Cia de circo do ator Marcos Frota, onde participou de um evento.

Entrou para um grupo de break (Hip Hop) chamado Improviso de Rua, onde deslanchou em apresentações em escolas, teatros e eventos em geral.
Em 2004, Marcos Frota convidou novamente para desta vez integrar a sua Cia de circo, atualmente situada no Rio de Janeiro, assim pode aperfeiçoar suas técnicas acrobáticas e onde está até hoje.
¹ A Artrogripose Múltipla Congênita (AMC) é uma síndrome caracterizada por contraturas de várias articulações e rigidez de tecidos moles presentes desde o nascimento e de caráter estacionário. Pode ser caracterizada por alterações de pele, tecido subcutâneo inelástico e aderido, ausência de pregas cutâneas, hipotrofia muscular, sendo substituído por tecido fibrogorduroso, deformidades articulares, espessamento e rigidez de estruturas periarticulares, com preservação da sensibilidade.
O termo artrogripose é oriundo do grego, significando “juntas curvadas” ou “fletidas”. Ela pode ser também designada como Amioplasia Congênita.
Fonte: http://www.fisioneuro.com.br/ver_pesquisa.php?id=4
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Alan Pagnota

Brasileiro, nascido em 18 de Março de 1979 na cidade de Valinhos, interior de São Paulo, Brasil. Desde pequeno foi envolvido com a arte através de seu avô paterno que escrevia peças de teatro, na maioria comédias, a seu pai que cantava e tocava percussão em grupos diversos.
Desde muito novo, tocou percussão e bateria com algumas bandas em eventos e casas noturnas sendo que no primeiro ano da universidade de Educação Física, no decurso de uma disciplina extracurricular de “Teatro e Entretenimento”, que iniciou na arte do palhaço. Encantado com a linguagem cômica criou uma parceria com um amigo atuando em eventos institucionais, teatros e shows através de diversos personagens.
Atuou durante cinco anos e meio na companhia de circo Unicirco – Marcos Frota onde além de artista era coordenador pedagógico, docente da arte do palhaço e assessor de maquiagem artística.

Também ministra workshops da arte do palhaço e maquiagem artística em diversos locais, um deles, a Escola Nacional e Circo do Rio de Janeiro, instituição amparada pela FUNARTE.
Participou do Festival Internacional de Circo de Cuba – Havana CIRCUBA 2012, onde foi congratulado com um prêmio revelação por seu desempenho artístico.
Em 2013 fez parte da Cia BLUE MAN GROUP em Nova York, onde fez o treinamento e se apresentou no espetáculo da companhia no teatro Astor Place Theater na Broadway.

Utilizando como base a arte da Arte do Palhaço e demais vertentes artísticas como o teatro e a música, Alan Pagnota utiliza sua criatividade para fundir humor e emoção, tradição e contemporaneidade, magia e realidade e, sobretudo informação e alegria. Suas performances são direcionadas para cada tipo de público, e vão além do entretenimento como eventos corporativos, recepções, empresas, cerimoniais, feiras, confraternizações, teatros, escolas eventos em geral em datas comemorativas com performances conceituais e exclusivas atuando solo ou acompanhado de artistas com experiência internacional nas mais diversas companhias.
Artista versátil em que além do circo atua em teatro de rua, cinema e TV.
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Biografias retiradas da página do Facebook da dupla.

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– Como cada um de vocês descobriu o circo?

Alan Pagnota: O circo entrou para a minha vida quando me descobri Palhaço em uma aula extra curricular de teatro e comicidade física na faculdade de educação física em 2005. Desde então, venho seguindo na vida circense.
Rafael Ferreira: Dentro da street dance eu conheci muitos artistas, dentre eles um palhaço onde me indicou para uma Cia de circo em Brasília em 2003.
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– Como vocês se conheceram?

Alan Pagnota: Nos conhecemos quando fiz uma audição em 2008 para palhaço na Cia Unicirco onde Rafael já trabalhava como paradista e dançarino.
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– Como decidiram formar uma dupla?

Alan Pagnota: Dentro do circo, além de atuar em sua aérea específica, temos a oportunidade de aprender outras atividades e modalidades. Foi quando eu e Rafael “brincamos” de mão a mão pela primeira vez em 2009 e pensamos que seria possível montarmos algo juntos, mas isso só se realizou a partir de meados de 2014, entre idas e vindas na Cia e tivemos a oportunidade de realmente começar a treinar.
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– Há quanto tempo vocês trabalham com circo? E há quanto tempo existe a dupla?

Rafael Ferreira: Trabalho com circo desde 2004.
Alan Pagnota: Eu trabalho com circo desde 2005. A Dupla Mão na Roda existe desde Julho de 2014.
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Cirque Berserk – Winter season 2018- London UK

– Por onde anda a dupla “Mão na Roda” atualmente?

Alan Pagnota: No momento estamos em temporada na Escócia no Cirque Berserk (Cia Britânica) dentro do Festival de Edimburgo até fim de Agosto, após isso vamos para uma temporada em Nova Iorque com o Big Apple Circus, e lá ficaremos até Fevereiro de 2020.
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– Quais os maiores desafios que vocês já enfrentaram na carreira?

Rafael Ferreira: Quando fomos destaque na comissão de frente da Escola de Samba União da Ilha do Governador no carnaval de 2016 do Rio de Janeiro. Os ensaios eram exaustivos indo até as madrugadas por mais de quarto meses, além da responsabilidade de nos apresentarmos diante de uma plateia de mais de 100 mil pessoas ao vivo e em uma cobertura de imprensa onde mais de 2 bilhões de pessoas poderiam estar assistindo.
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– Qual é a melhor coisa de trabalhar com circo?

Rafael Ferreira: Levar alegria para as pessoas com nosso trabalho e muito gratificante.
Alan Pagnota: Sem dúvida, a alegria em ver no rosto de todas as pessoas o que nosso trabalho pode proporcionar das mais diversas reações e emoções.
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– Existiu um momento mais difícil que vocês superaram fazendo esse trabalho?

Alan Pagnota: A arte no Brasil em específico é bem complicado em vários quesitos. Preconceito, falta de informação e desvalorização do artista. São coisas que por sermos artistas, temos resiliência em superar.
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– Vocês acham que enfrentar a carreira como uma dupla é mais fácil ou mais difícil do que individualmente?

Alan Pagnota: O fato de trabalhar em dupla ou sozinho não é fator relevante no que diz respeito à prática circense. O circo exige de você ao máximo, fisicamente e emocionante.
No sentido de companheirismo sim, faz a diferença.
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– Depois de viajarem e se apresentarem em tantos lugares, vocês acham que o circo fora do Brasil é mais valorizado?

Existem grandes artistas brasileiros, milhares deles, com inúmeros potenciais. Há brasileiros em todos os lugares e Cias no mundo todo, mostrando que somos uma indústria de talentos natural. O Brasil deveria sim apoiar mais o circo brasileiro, do pequeno ao grande, do familiar as Cias com infraestruturas maiores, além de políticas públicas da própria cultura nacional para promover a arte em geral. Assim, no Brasil, os artistas seriam mais valorizados.

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– Se vocês pudessem dar uma dica para quem deseja iniciar na carreira circense, que dica vocês dariam?

Rafael Ferreira: Dedicação, vontade de evoluir e muito, muito treino que você chega lá.
Alan Pagnota: Tudo que você realmente quer realizar na vida deve ser encarado com consciência, atitude e acima de tudo persistência, sem isso nada é alcançado.
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Acompanhe o trabalho deles no Facebook e no Instagram e no Youtube.

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Foto que eu tirei da dupla durante apresentação na Unicirco

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A Dupla “Mão na Roda” é formada pelos artistas Alan Pagnota e Rafael Ferreira, ambos com habilidades específicas e advindas das mais vertentes áreas artísticas.

Usando a milenar arte circense como base de suas performances, Alan e Rafael buscam mais do que demonstrar vigor físico. Misturando acrobacia e comicidade física, o objetivo real da dupla é perseverar o conceito de arte consciente e social.

Tal trabalho é direcionado a possibilidades, superação de limites, motivação e informação através de demonstrações das mais variadas relações humanas, tudo isso tratado de maneira lúdica, audaciosa e poética.

A missão da dupla é levar através de palestras e apresentações artísticas, motivação pessoal a cada um que estiver na plateia, sendo em congressos, feiras, empresas, teatros, escolas ou instituições da saúde, consolidando funções primordiais da arte que são as edificações e transformações de ideias, quebrando paradigmas, limitações e preconceitos da sociedade.

Acesse o blog akroholic e leia os outros artigos que eu já escrevi.

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