michael jackson e o circo

A relação do Rei do Pop com o Circo

Semana passada assisti uma apresentação do Candlelight em Tributo a Michael Jackson. É um espetáculo com quatro músicos tocando instrumentos de corda e um setlist formado apenas por músicas de Michael. Um show lindo, 100% instrumental e à luz de velas. Vale a pena assistir!

Saindo de lá, pensei: por que nunca escrevi sobre a relação de Michael Jackson com o circo aqui no site?

Como fã de Michael, eu já sabia que ele gostava de circo, frequentava espetáculos e tinha contato com artistas circenses. Mas resolvi pesquisar um pouco mais para descobrir até onde ia essa relação — e encontrei histórias muito interessantes.

A ligação entre Michael Jackson e o circo aparece de várias maneiras: em músicas, na estética de seus trabalhos, em visitas a espetáculos, no contato com artistas circenses e até na parceria que surgiu, anos depois, entre o Cirque du Soleil e o espólio do artista.

Vamos conhecer algumas delas?

Você sabia que Michael Jackson gravou uma música chamada “Carousel”?

A canção foi gravada em 1982, durante as sessões de Thriller, e produzida por Quincy Jones. “Carousel” foi escrita por Michael Sembello e Don Freeman e chegou a ser considerada para entrar no álbum.

A música acabou sendo substituída por “Human Nature” de última hora, uma das faixas mais famosas de Thriller. Hoje, o público geral não conhece Carousel, mas dificilmente alguém nunca ouviu Human Nature.

O tema de “Carousel” não poderia ser mais apropriado para este artigo: a música conta a história de uma garota do circo, associando o carrossel, a pipoca, os doces e o espetáculo a uma lembrança de amor e desilusão.

Um dos trechos mais conhecidos fala justamente sobre perder o coração para uma “circus girl” — uma garota do circo.

A versão editada de “Carousel” foi lançada em 2001, na edição especial de Thriller. A versão completa apareceu em 2008, na coletânea King of Pop – The Italian Fans’ Selection, e voltou a ganhar destaque em 2022, na edição comemorativa Thriller 40.

Ou seja: muito antes de pensarmos na relação entre Michael Jackson e o circo como algo visual ou performático, já existia uma “circus girl” cantada por Michael. Esse, inclusive, era o nome original da música.

“I lost my heart
On the carousel
To a circus girl
Who left my heart in pieces
Lost my heart
On The carousel
To a circus girl
Who ran away”

[Leia aqui a letra e a tradução de “Carousel”]

Mas a relação de Michael Jackson com o circo vai muito além dessa música.

 

Michael Jackson e suas visitas ao circo

Michael Jackson era um admirador do universo circense e existem diversos registros de suas visitas a circos ao longo dos anos.

Há registros de Michael com artistas do Circus World, em Orlando, incluindo os artistas de monociclo Mônica e George Bertini, além de visitas ao Circus Vargas, em Las Vegas, ao Circo New Orleans e ao Circo Krone, em Munique.

O interessante é que Michael não parecia se contentar em simplesmente assistir ao espetáculo.

Segundo relatos publicados ao longo dos anos, ele gostava de conhecer os artistas, visitar os bastidores e fazer perguntas sobre o funcionamento do circo e sobre os animais. Inclusive, no início da década de 80, Michael comprou uma lhama, que batizou de Louie. A lhama era usada em apresentações de circo e foi vendida a ele por sua treinadora.

 

Michael Jackson e a família do Circo Knie

A família Knie é uma das mais tradicionais famílias circenses da Suíça. Michael teve contato com Gregory Knie, integrante da sétima geração da família, em 1988.

Anos depois, em 2000, Michael levou seus filhos, Prince e Paris, para assistir a uma apresentação do Circo Knie.

Segundo os relatos da família, Michael demonstrou muita curiosidade sobre os animais e sobre a própria vida dos artistas circenses. Ele queria saber como funcionava aquela rotina de viajar constantemente de uma cidade para outra e viver praticamente dentro do universo do circo.

E existe uma curiosidade ainda mais interessante nesse encontro.

Michael era um grande admirador de Charlie Chaplin, e foi Gregory Knie quem o acompanhou até a casa de Chaplin durante sua visita à Suíça em 1988.

 

Michael Jackson, o circo e as crianças

Outra característica que aparece nos relatos é a relação entre Michael, o circo e seu desejo de proporcionar experiências felizes para crianças.

Em 1989, Michael levou cerca de 200 crianças ao Circus Vargas, em Santa Barbara. O grupo incluía crianças do St. Vincent Institute for Handicapped Children e da organização Big Brothers Big Sisters.

Há ainda o caso de Darian Pagan, um menino de quatro anos com leucemia que conheceu Michael em uma experiência organizada por uma instituição de caridade. O encontro aconteceu no contexto de um espetáculo circense.

Parece que para Michael, o espetáculo podia ser muito mais do que entretenimento.

O circo podia ser uma forma de encantamento, fantasia e criação de uma memória feliz.

 

A capa de Dangerous tem uma forte inspiração circense

Se existe uma imagem que merece destaque quando falamos sobre Michael Jackson e o circo, é a capa do álbum Dangerous, lançado em 1991.

Criada pelo artista americano Mark Ryden, a obra é repleta de elementos que remetem ao universo do espetáculo, das atrações e do imaginário circense.

Entre eles estão animais, personagens, uma atmosfera de espetáculo, atrações que lembram parques e, em destaque, a figura de P. T. Barnum, um dos nomes mais importantes da história do entretenimento circense americano.

A capa de Dangerous é tão carregada de símbolos que até hoje desperta interpretações diferentes. A MJ Beats fez uma incrível análise detalhada da capa do disco, que é lotada de referências de todos os tipos.

 

E talvez seja justamente essa mistura de mistério, espetáculo, fantasia, animais e personagens que faça a imagem conversar tão bem com o universo do circo.

Para quem ficou curioso sobre Barnum: ele foi um dos grandes empresários do entretenimento e do circo nos Estados Unidos e esteve ligado à formação do que se tornou o Barnum & Bailey Circus.

Sua história inspirou o filme O Rei do Show (The Greatest Showman), lançado em 2017.

O filme, porém, é bastante romantizado e não deve ser tratado como uma biografia fiel de Barnum.

A trilha sonora, por outro lado, é realmente incrível.

 

Michael Jackson e Michu Meszaros

Outra conexão interessante entre Michael Jackson e o circo passa por Mihály “Michu” Mészáros, artista circense e ator húngaro.

Michu ficou conhecido internacionalmente por seu trabalho no Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus e, posteriormente, por interpretar o personagem ALF em aparições que exigiam um artista dentro da fantasia do personagem.

Ele também apareceu ao lado de Michael Jackson em um comercial da Pepsi.

É mais uma dessas pequenas conexões entre o universo circense e a carreira de Michael que acabam passando despercebidas.

 

Michael Jackson e o Cirque du Soleil

Se Michael tinha uma relação pessoal com o circo durante sua vida, depois de sua morte essa ligação ganhou uma dimensão ainda maior.

Em 2011, o Cirque du Soleil estreou Michael Jackson THE IMMORTAL World Tour, um espetáculo inspirado na música e no universo artístico de Michael Jackson.

O projeto foi desenvolvido em parceria com o espólio de Michael Jackson e percorreu arenas em diferentes países.

Depois veio o espetáculo Michael Jackson ONE, criado especialmente para Las Vegas.

O Michael Jackson ONE estreou oficialmente em 29 de junho de 2013, no Mandalay Bay Resort and Casino, em Las Vegas. O espetáculo combina música, dança, acrobacia e elementos visuais para criar uma experiência inspirada no universo artístico de Michael.

E aqui temos uma conexão muito interessante com o próprio espírito do circo.

O Cirque du Soleil não simplesmente colocou músicas de Michael Jackson em um palco. A companhia transformou sua música em acrobacia, dança, cenografia, personagens e espetáculo visual.

É justamente aí que música pop e circo se encontram.

 

Rodrigo Teaser já levou o Tributo ao Rei do Pop ao picadeiro do Mirage

A relação entre Michael Jackson e o circo também chegou ao Brasil.

O artista brasileiro Rodrigo Teaser, conhecido por seu trabalho em homenagem a Michael Jackson, já apresentou seu espetáculo Tributo ao Rei do Pop dentro do Mirage Circus. Rodrigo é reconhecido como o melhor e maior cover (imitador) de Michael do mundo.

Em entrevista ao SaladaCast, Rodrigo citou a ajuda de uma equipe circense para desenvolver uma catapulta cênica, inspirada em uma das entradas utilizadas por Michael em suas apresentações. Foram necessários testes e desenvolvimento para criar o equipamento.

Assisti so Tributo pela primeira vez em 2012 e já era realmente impressionante. Veja aqui a agenda de shows do Rodrigo Teaser e não perca a oportunidade de reviver a magia do Michael.

 

Afinal, qual era a relação de Michael Jackson com o circo?

Talvez a conexão esteja justamente naquilo que Michael Jackson e o circo têm em comum: a capacidade de transformar a realidade durante alguns minutos.

Luz, música, movimento, ilusão, acrobacia, figurinos, personagens, surpresa e fantasia.

E talvez seja exatamente essa sensação de encantamento que explique por que o universo do circo combina tanto com Michael Jackson.

 

 

Fontes e referências

akroholic

Akroholic é um projeto que visa disseminar a prática de tecido acrobático, trazendo inspirações, assuntos relevantes de interesse de praticantes e professores e cursos parceiros.

Você pode gostar...

Versão para Usar no GTM